A visita chega pelas fotografias e fica pelos pormenores: como se sobe, onde é a casa de banho, o que acontece se chover, se serve para crianças. Responder a isso é ficar com a reserva sem trocas de mensagens.
Com meia dúzia de unidades, cada noite conta. Um calendário de disponibilidade e a reserva direta pesam mais do que qualquer descrição — e, com estes preços, a comissão poupada nota-se logo.
Quem vende é a ocasião, não a casa: aniversário de casamento, um fim de semana a desligar, céu estrelado sem rede. Uma página por ocasião acerta melhor na procura do que uma página sobre a construção.
Nem toda a gente cabe numa casa na árvore, e dizê-lo com franqueza não custa uma reserva: poupa uma avaliação má. Escada íngreme, sem crianças abaixo dos doze anos, o carro fica a duzentos metros, animais não. Anunciar as regras atrai quem procurava precisamente isso.
O inverno não é época morta, é outro produto: salamandra, mantas, noite que cai cedo, nevoeiro sobre o vale. Uma página só com fotografias de verão não recebe pedidos em novembro. Duas frases sobre o aquecimento e meia dúzia de imagens de época fria enchem as semanas que ficavam vazias.
Chega-se muitas vezes de noite, depois do trabalho, com um GPS que desconhece o caminho de terra. Entrega de chave sem receção, o último quilómetro descrito ao pormenor, um número para o caso de haver problema: isso vai no email de confirmação e na página. Quem chega sem voltas escreve outra avaliação no domingo.